Este meu Blog centra-se principalmente na cozinha tradicional portuguesa. Com maior destaque para a fascinante cozinha regional Alentejana, citando nomeadamente as suas tradições, origens, costumes e história. Pretendo também inovar e alterar/enriquecer à minha maneira algumas das receitas tradicionais, oferecendo-lhes um ar mais moderno e inovador mas sempre mantendo os ingredientes tradicionais da região.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

BLOG MAIS DOCE DE PORTUGAL

 

Arroz-doce de Leite Condensado, Morango e Crocante de Pêssego

 

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Ingredientes:

  • 1 Chávena de arroz carolino
  • 4 Chávenas de leite
  • 1 Pau de canela
  • 6 Colheres de sopa de leite condensado caseiro
  • 4 Colheres de sopa de Açúcar Mascavado Claro RAR
  • Canela em pó q.b.
  • Morango fatiado desidratado
  • Pêssego fatiado desidratado

Preparação:

  1. Num tacho leve 3 chávenas de leite com o pau de canela a ferver. Assim que levantar fervura adicione a chávena de arroz e vá mexendo até estar cozido sem deixar secar completamente.
  2. Junte o leite condensado, as colheres de açúcar mascavado, a última chávena de leite e misture bem até ficar cremoso. Já depois do lume apagado e antes de empratar, adicione os morangos desidratados (reservando alguns para enfeitar) e mexa, emprate então o arroz-doce num prato de serviço. Por cima preencha com as restantes rodelas de morango desidratado e o pêssego também desidratado e disponha a canela a gosto.

Ingredientes para o leite condensado caseiro:

  • Meia chávena de água morna
  • 2 Chávenas de leite em pó
  • 1 Chávena de chá de Açúcar Branco Granulado RAR

Preparação do leite condensado:

  • Num copo liquidificador coloque a água morna, o leite em pó e o açúcar. Bata por cerca de três minutos até ficar com a consistência do leite condensado. Transfira para outro recipiente e deixe arrefecer, para o caso desta receita, pode usar logo diretamente.

Modo de preparo para a fruta desidratada:

  • Precisa de um forno que consiga uma temperatura tão baixa como 40º a 50ºC. No caso desta receita, lave e corte os morangos e o pêssego em fatias todas com a mesma espessura, disponha-as sobre papel vegetal e coloque num tabuleiro baixo e introduza no forno à temperatura entre 40º e 50ºC sem humidade. Este processo poderá demorar cerca de 4 a 5 horas.

Disfrute e bom apetite!

domingo, 5 de maio de 2013

Bolo de Bolacha

 

     Ontem no caminho de Colos para Santiago, a minha filhota apeteceu-lhe fazer um bolo, entre muitos que falámos, o escolhido foi o Bolo de Bolacha. Fomos comprar alguns ingredientes que não tinha em casa e, mãos à obra.

     A receita de um simples Bolo de Bolacha feito pela minha filha:

Ingredientes:

  • 1 pacote de bolachas Maria
  • 1 tigela de café forte
  • 4 dl de natas
  • 6 colheres de sopa rasas de açúcar em pó

Preparação:

  1. Bata as natas e guarde-as no frigorífico para ficarem bem duras.
  2. Adicione o açúcar, a pouco e pouco, e continue a bater até formar um chantilly consistente.
  3. Guarde novamente no frigorífico.
  4. Prepare o café e deixe-o arrefecer.
  5. Vá molhando cada uma das bolachas no café e disponha-as num prato de serviço em forma de flor, formando várias camadas.
  6. Barre, generosamente, a superfície e os lados com o chantilly e coloque o bolo no frigorífico até ao momento de servir.
  7. No nosso caso, enfeitámos com chocolate triturado.

Ficou óptimo! E o resultado foi este:

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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Menu Completo Dia da Mãe


Bem sabemos que o dia da mãe são todos os dias e, uma Mãe merece sempre um miminho especial, principalmente neste dia que se avizinha. E uma das formas de mimar uma mãe é preparar-lhe um Menu completo que dará para toda a família, como tal, decidi preparar e partilhar convosco um kit especial completo para o dia da mãe, constituído por: Entrada, Prato de Peixe, Prato de Carne, Sobremesa e Bebida para acompanhar.
Espero que seja do vosso agrado e que ponham em prática este Menu delicioso, fácil e económico. Se puderem digam como ficou!
- Porque o calor já vai começar a apertar, já apetece uma entrada fresquinha!


Entrada de Camarão com Abacate e Whisky

Entrada de Camarão com Abacate e Whisky
Ingredientes para 4 pessoas:
  • 400 g de camarões 30/40
  • 2 abacates
  • 1 colher de sobremesa de mostarda
  • 1 colher de sopa de whisky
  • sal
Preparação:
  1. Coza os camarões de acordo com as instruções da embalagem. Deixe-os arrefecer e descasque-os reservando alguns inteiros para enfeitar. Mantenha-os sobre gelo até ao momento de os utilizar ou de os levar para a mesa.
  2. Abra os abacates ao meio, retire a polpa para uma taça e esmague-a com um garfo. Num copo misturador, junte a polpa dos abacates com as natas e bata tudo com um batedor rotativo. Tempere com mostarda, o whisky e sal a gosto.
  3. Deite parte do recheio em cada uma das metades dos abacates, já colocados sobre uma folha de alface nos pratos onde irão ser servidos. Distribua os camarões por cada uma delas. Cubra com a outra parte do recheio.
  4. Enfeite a gosto com os restantes camarões.
  5. Leve ao frigorífico até à altura de servir.


Açorda de Marisco

Ingredientes para 6 pessoas:
  • 600 g de amêijoas
  • 600 g de berbigão
  • 750 g de camarão 40/60
  • 4 ovos
  • 600 g de pão de véspera (duro)
  • 5 dentes de alho
  • 0,5 dl de azeite
  • 1 ramo de coentros
  • sal, pimenta e piripiri
Preparação:
  1. Separadamente, ponha de molho as amêijoas e o berbigão para que larguem a areia que possam conter. Se optar pelos congelados não necessita de proceder a esta operação.
  2. Coza os camarões, em água e sal, e conte 2 minutos após levantar fervura. Escorra os camarões e reserve a água da cozedura. Descasque-os, deixando alguns de parte para enfeitar a superfície da açorda. Abra as amêijoas e os berbigões, separadamente, retire-os das conchas e junte o liquido coado que largaram à água do camarão. Leve esta mistura ao lume, e quando ferver, deite-a sobre o pão cortado aos bocados.
  3. Entretanto, pique os alhos e aloure-os ligeiramente com o azeite e os coentros atados. Junte o pão espremido e mexa com uma colher de pau. vá batendo pão sobre o lume e, se for necessário, junte um pouco do liquido onde o pão demolhou, para que a açorda não fique seca. Tempere de sal, pimenta e piripiri e, fora do lume, retire os coentros. Junte os mariscos e os ovos, misturando bem. Mexa muito rapidamente.
  4. Enfeite com os camarões com casca, (ou descascados) que reservou, e polvilhe com coentros picadinhos. Sirva imediatamente.


Miminhos de Porco em Molho de Limão

Miminhos de Porco em Molho de Limão
Ingredientes para 4 pessoas:
  • 600 g de escalopes de porco
  • 1 colher de sopa de farinha
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • 6 limões
  • 1 pacote de natas
  • manjericão fresco
  • sal e pimenta
Preparação:
  1. Tempere os escalopes de porco com sal e pimenta. passe cada escalope por farinha e frite-os numa frigideira com o azeite.
  2. Raspe as cascas dos limões para uma tigela e reserve.
  3. Bata as natas e adicione-lhes o sumo dos limões. Acrescente uma pitada de sal, pimenta e algumas folhas de manjericão fresco picadas.
  4. Leve de novo os escalopes ao lume e regue-os com esta mistura. Mantenha o lume brando até obter um molho cremoso.
  5. Retire do lume e espalhe a raspa do limão sobre o preparado.
  6. Acompanhe com brócolos cozidos regados com manteiga de alho derretida.


Delicia de Dois Leites

Delicia de Dois Leites
Ingredientes para 4 pessoas:
  • 5 dl de leite meio gordo
  • 1/2 lata de leite condensado
  • 2 ovos
  • 2 colheres de sopa rasas de maizena
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 2 cascas de limão
  • caramelo líquido
Preparação:
  1. Leve o leite ao lume com as cascas de limão (pode substituir por cascas de laranja ou 1 pau de canela). Quando ferver, retire do calor.
  2. Numa tigela, misture o leite condensado, as gemas e a maizena com uma vara de arames, para evitar que se formem grumos. Deite esta mistura no leite, depois de ter retirado as cascas de limão. Leve ao lume e, mexendo sempre com a vara de arames, deixe engrossar. O creme está cozido quando não souber a cru.
  3. Forre as paredes e o fundo de um recipiente que possa ir ao forno e à mesa, com caramelo líquido. Deite agora o doce dos dois leites no recipiente.
  4. Junte umas pedrinhas de sal às claras, para subirem mais rapidamente e bata-as até ficarem em castelo firme. Junte-lhes o açúcar e continue a bater. Espalhe as claras sobre o doce, uniformemente, e risque-as com um garfo. Leve rapidamente ao grelhador do forno para corarem.
  5. Pode decorar o doce com raspas de chocolate ou cerejas em calda.
  6. Sirva frio ou à temperatura ambiente.


Sangria de Espumante com Morangos

sangria com morangos
Ingredientes para 4 pessoas:
  • 300 g de morangos
  • 2 maçãs verdes (Granny Smith)
  • 1 limão
  • 100 g de açúcar
  • 1 garrafa de espumante doce
  • 1 ramo de hortelã
  • 1 pau de canela
Preparação:
  1. Lave muito bem os morangos, retire-lhes os pés e corte em quartos.
  2. Lave muito bem as maçãs, retire-lhes os caroços e corte em quadradinhos.
  3. Deite os morangos e a maçã num jarro de vidro, adicione o limão, previamente lavado e cortado em rodelas finas e polvilhe com o açúcar.
  4. Leve ao frigorifico.
  5. Na altura de servir, junte o espumante bem fresco. Adicione o ramo de hortelã, bem lavado e seco, e o pau de canela.
  6. Mexa tudo com uma colher de pau.

BOM APETITE E UM FELIZ DIA DA MÃE!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Almofadas de Frango com Recheio de Urtigas e Queijo Creme


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Ingredientes:
  • 4 peitos de frango
  • 1 cebola
  • 1 alho
  • azeite
  • vinagre
  • 1 pequeno ramo de alecrim novo
  • sal
  • pimenta preta moída na altura
  • 1 chávena de urtigas cozidas, escorridas e bem espremidas (sem água)
  • meio pacote de queijo creme
  • 8 fatias de bacon
  • palitos
Preparação:
  1. Coloque os peitos de frango num recipiente e tempere de sal, pimenta, azeite, um pouco de vinagre, alho, cebola e o raminho de alecrim, coloque no frigorifico a marinar durante umas horas ou de um dia para o outro.
  2. Findo este tempo, abra os peitos de frango de modo a formar uma borboleta.
  3. Bata-os com cuidado sem os rasgar e reserve.
  4. Coloque no copo liquidificador as urtigas, o queijo creme, um fio de azeite, sal e pimenta, triture só um pouquinho para misturar bem e de forma a não desfazer totalmente as urtigas.
  5. Coloque o creme de urtigas no meio do peito de frango e feche, enrole com as fatias de bacon, de forma a formar um tipo de almofadas, se necessário prenda com palitos.
  6. Leve ao lume uma frigideira com um fio de azeite, depois de quente, core as almofadas por um pouquinho, de ambos os lados, em seguida coloque-as num tabuleiro tipo pirex e leve ao forno a 180ºC por mais ou menos 10 minutos.
  7. Sirva. (Na minha opinião fica muito bem com uma salada de rúcula e arroz selvagem)
(Esta receita, criada por mim, apareceu na revista Mulher Moderna na Cozinha na edição de Junho)




segunda-feira, 22 de abril de 2013

Porco Ibérico / Presunto de Barrancos

 

                               porco preto3

     O Porco Ibérico é uma raça do porco doméstico que é nativa da área do Mediterrâneo. É encontrado em rebanhos agrupados no território central e sul da Península Ibérica.

     Pensa-se que os primeiros porcos foram trazidos para a Península Ibérica pelos fenícios da costa oriental do Mediterrâneo (atual Líbano), onde cruzaram os javalis. Este cruzamento deu origem às primeiras raças ibéricas, cuja origem, neste caso, pode ser rastreada até cerca do ano 1000 a.C.

     O Porco Ibérico é uma raça própria alentejana, mais pequena que o porco comum e com a propriedade genética de poder armazenar grandes depósitos de lípidos, que se infiltram na massa muscular, provocando esse aspeto marmóreo e entremeado na carne que lhe outorga a sua apreciada untuosidade.

     Quando alimentado com bolota, este animal consegue, em poucos meses, quase duplicar o peso, pelo que muitas vezes frequentemente falece vítima de ataques cardíacos, devido à sua sofreguidão. A época da bolota vai de Novembro a Março, mas a alimentação do porco também inclui raízes, plantas silvestres e ervas aromáticas fundamentais para obter esse seu perfume tão característico. O facto de se alimentar ao ar livre faz com que a gordura se infiltre dentro da carne e não fique exclusivamente alojada na parte externa. Durante a montanheira um porco chega a ingerir cerca de 10 kg de bolota, aumentando aproximadamente 1 kg por dia, até atingir os 140 kg, o que não é nada mau!

     Se tivermos em consideração que mais de metade da superfície mundial de Montados de Sobreiro e Azinho se encontram em Portugal, concluiremos facilmente que há excelentes condições, a priori, para a elaboração de enchidos e presuntos genuinamente lusitanos. Não é estranho que tradicionalmente as extensões de montado portuguesas fossem alugadas a porcos provenientes de Espanha para seu engorde. Mas, a partir de 1995, criou-se a Denominação de Origem Presunto de Barrancos, com similitudes enormes com a zona de Jabugo, a mais prestigiada de Espanha, que se encontra na mesma Serra Morena, partilhada com Barrancos, mas 70 km a leste. O clima é determinante para a qualidade do presunto, pois são precisos invernos frios e secos, juntamente com verões calorosos para curar o presunto com ar natural durante um mínimo de 18 meses e um máximo de 30.

                                                presunto-dop

     O reconhecimento da Denominação de Origem Barrancos (D.O.P.), trouxe uma nova dignidade ao Presunto de Barrancos, tornado-o rapidamente reputado. Desde então tem recebido prémios e elogios de gastrónomos de diversos países.

     Cruz da Ordem de Aviz – Símbolo da Denominação de Origem Protegida de Barrancos. A marcação a fogo garante o carácter genuíno do Presunto de Barrancos (figura acima).

                                          Presunto de Barrancos DOP

     Algumas dicas para apreciar da melhor maneira possível o Presunto de Barrancos: coloque o presunto sobre uma tábua, com a unha (preta) para cima e faça-lhe um corte vertical com a faca, junto ao tornozelo, para vincar o couro. Retire o couro superficial, em cima e dos lados, até surgir a carne. Corte a camada de gordura exterior, que pode aproveitar para cozinhar. Corte fatias muito finas, quase transparentes e uniformes, mantendo a superfície o mais horizontal e nivelada possível. Tape o presunto com a própria gordura, para evitar que seque. Aproveite os ossos para fazer um bom cozido.

       175             Prova  DOP1

quarta-feira, 13 de março de 2013

Urtiga ou Ortiga

Urtiga ou Ortiga


Porque estamos quase em plena época das folhas novas e tenras da urtiga, achei por bem colocar este artigo para desta forma incentivar ao seu consumo, muita gente desconhece ainda os seu benefícios e quando a vêm crescer no quintal, julgam-na uma erva daninha, apanham-na e jogam fora, grande erro. Ora preste atenção a este artigo, tenho a certeza que a partir daqui vai olhar de maneira diferente para uma urtiga.

Planta originária da Europa e da Ásia, a urtiga foi provavelmente uma das primeiras plantas a ser utilizada pelo Homem, o seu uso remonta à idade do bronze, quando se empregavam as fibras de urtiga no fabrico de vestuário e um pouco mais tarde utilizado também no fabrico de papel.

            Existe um facto curioso dos soldados romanos, quando estacionados no norte da Europa, onde cultivavam aí a urtiga, para depois se esfregarem com ela, a fim de suportarem melhor o frio. Faz sentido porque o nome botânico desta planta vem do latim «urere» que significa “queimar” e que tem a ver com o seu carácter urticante.

            Mais tarde, na Noruega, Dinamarca e Escócia deram continuidade ao cultivo da planta, que com ela fabricavam fatos grosseiros para os marinheiros assim como redes de pesca. Mesmo depois do linho ter começado a ser mais apreciado, o fabrico de fibras de urtiga continuo até ao século XIX, principalmente na Escócia. Mas o uso da urtiga na indústria têxtil durou ainda atá ao século XX. Durante a Primeira Grande Guerra Mundial, os uniformes dos soldados alemães eram feitos de fibras de urtigas. Hoje a urtiga é utilizada como planta medicinal, comestível e fonte de clorofila.

Urtiga branca


            A urtiga a que me refiro, é a urtiga mais comum, com nome cientifico «urtica dioica», pertence a uma família diferente da urtiga branca. Não se devem confundir, ainda que o seu especto seja muito semelhante, mas a urtiga branca não “pica”, ou seja, não tem características urticantes. As flores da urtiga branca são também bastante diferentes das da urtiga comum. Contudo, estas plantas têm algumas propriedades em comum: ambas são benéficas em casos de reumatismo e gota (especialmente a branca) e obstipação; uso externo em casos de contusões e queimaduras. As sumidades florais de ambas as plantas são ricas em taninos e mucilagens.


Urtiga dioica


            Porque “pica” a urtiga? É simples perceber, nesta planta existem diversas substâncias, principalmente a histamina, acetilcolina e ácido fórmico que, quando entram em contacto com a nossa pele, provocam a dilatação dos vasos sanguíneos e uma espécie de inflamação. As substâncias agressivas ficam armazenadas em minúsculos pelos que se espalham pelo caule e folhas da planta. A parte inferior do pelo apresenta incrustações de cálcio, o que lhe dá rigidez, mas a ponta é frágil e rompe-se ao mais ligeiro toque.

Folha da Urtiga


            A urtiga gosta de terrenos húmidos e frescos, não muito expostos ao sol directo. Encontram-se por quase toda a parte, sobretudo nos terrenos incultos, bosques e nos caminhos dos campos. É muito abundante no Alentejo. Planta vivaz e muito rústica (consegue resistir até 45ºC negativos!), mal se lhe toca liberta uma substância urticante, que está na origem do seu nome. A urtiga multiplica-se por semente, divisão dos pés, ou por estaca. A distância normal entre as plantas deve ser 30-6º cm.

            A urtiga é muito rica em vitaminas, sobretudo as do grupo B, também vitaminas C e K, betacaroteno, minerais como o magnésio e o ferro, oligoelementos, aminoácidos e proteínas, cálcio, sais e fosfatos. Nas folhas encontra-se uma substância histamínica e ácido fórmico. No resto da planta, taninos, mucilagens e vitaminas. É excelente para combater a queda de cabelo e a fragilidade das unhas, devido à presença de ferro, de silício e das vitaminas B2 e B5, pelo que tem um bom poder de remineralização. Como é rica em vitamina C, indispensável para uma boa absorção do ferro, torna-se um grande inimigo da anemia e dos problemas circulatórios, sendo também recomendada para um bom equilíbrio feminino aquando da menopausa. Através de estudos verificou-se que a planta estimula a secreção láctea, reduz o teor de ácido úrico e tem um papel muito eficaz no alívio das artroses, crises de gota e artrites, bem como outros problemas reumáticos. As cataplasmas de folhas de urtiga têm grande efeito sobre os eczemas e outras doenças de pele. A urtiga possui ainda propriedades depurativas do sangue, fazendo baixar o teor de glucose no sangue e estimulando a irrigação sanguínea de todas as partes do corpo. É uma planta indispensável ao metabolismo e à saúde do sistema vegetativo. Combate também o entorpecimento dos membros. E com a urtiga pode ainda fazer um excelente champô anti-caspa.


CHAMPÔ ANTI-CASPA

  • 300 g de urtigas (planta inteira)
  • água
  • champô neutro líquido para bebés
  • algumas gotas de tangerina
Ferva durante uns 2-3 minutos 100g de urtigas num litro de água. 
Deixe repousar 30 minutos e depois filtre.
Junte mais 100 g de urtigas e ferva de novo durante cerca de 2-3 minutos.
Deixe repousar mais 30 minutos e filtre.
Junte as restantes urtigas e ferva de novo durante 2-3 minutos.
Deixe repousar mais 30 minutos e filtre.
Adicione então ao líquido obtido um volume igual de champô neutro para bebé, junte algumas gotas de tangerina e deite num frasco, agitando bem para misturar.
Utilize como qualquer outro champô
Será um anti-caspa excelente, que evitará também a queda de cabelo.


            Na Escócia foi onde a urtiga foi desde sempre mais apreciada e cultivada, não é de estranhar que um dos seus pratos tradicionais seja à base de urtigas. Também na Rússia se utiliza a urtiga na confecção do tão conhecido «chtchi». Segundo pesquisas, ainda hoje em dia as civilizações mais antigas da Austrália utilizam um género de um medicamente externo artesanal à base de urtigas para friccionar os entorses, e com folhas fervidas fazem cataplasmas. Na Ucrânia, as urtigas servem para pintar de verde os ovos de Páscoa. Um pouco por todo o mundo, esta planta é conhecida pelos vários benefícios que tem, sendo consumida de diversas formas: chás, em folhas, em receitas culinária ou bebidas, etc. Também no fabrico artesanal de queijos, há quem use a urtiga em vez do coalho, embora a coagulação não tenha o mesmo grau de satisfação, o queijo fica com um gosto bastante agradável, o que o torna especial. Quando ainda é tenra e nova, a urtiga é um legume excelente. Não por experiência minha, mas por comentários de quem já bebeu infusões de urtiga, que é uma bebida muito sem gosto mas bastante benéfica para a saúde.

PARA SUBSTITUIR O COALHO NO FABRICO DE QUEIJO

  • 1/4 de infusão de urtiga, muito bem concentrada
  • 50 g de sal
- Utilizar 1 colher de sopa desta infusão por cada 2 litros de leite.


            Para os amantes da jardinagem, a urtiga que, à primeira vista não cai em graça e torna-se até um pouco indesejável, é uma excelente auxiliar, especialmente na agricultura. Se fervermos urtigas em bastante água, e com a água depois de completamente fria, regarmos as plantas do jardim, podemos desembaraçar essas plantas de doenças como o míldio, e também parasitas como o piolho, ou seja, também pode ser utilizada para sideração, que consiste no enriquecimento e melhoria do solo, através da incorporação de plantas que crescem no próprio local. A urtiga também é excelente para activar a decomposição do estrume orgânico. A urtiga é igualmente cultivada para a extracção da clorofila e como forragem para o gado bovino, para as aves e para os coelhos. As vacas e cabras que se alimentam com urtigas, dão melhor leite e mais abundante, com mais nata e sabor mais açucarado.

            Conforme o fim para que se destina, da urtiga utilizam-se as extremidades novas e tenras (sobretudo em Abril), a planta inteira (de Maio a Setembro) e a raiz (de Agosto a Outubro). O corte das plantas deve ser efectuado nas horas de menos calor e sem sol directo.

Já na Roma antiga havia quem comesse as urtigas cozinhadas como se fossem espinafres. Actualmente em Portugal a urtiga é bastante utilizada em receitas culinárias ou outras como o chá de urtiga que tem efeito desintoxicante, anti anémico e diurético, por possuir clorofila. Em baixo estão algumas receitas onde a urtiga é ou pode ser mais utilizada.


       
Para preparar a planta para receitas e eliminar o seu efeito urticante, passe-a por água fria e mergulhe-a em água a ferver. Se por acaso for alérgico(a) ao efeito urticante da planta e se picar antes de efectuar esta operação, um dos remédios caseiros mais rápidos e popular é espalhar sumo de limão sobre a zona afectada. O azeite e a cebola também podem ajudar e, por vezes, até basta espalhar a nossa própria saliva várias vezes sobre a zona afectada até acalmar. Se nada disto resultar, então passe pela farmácia e peça um conselho ao farmacêutico sobre que creme usar. Eu apanho as urtigas com umas luvas calçadas.

Muito importante. Não deve apanhar urtigas que estejam a menos de 50 metros das estradas com grande circulação porque captam o chumbo lançado pelos canos de escape dos carros.

Pode apanhar as urtigas com a ajuda de umas luvas ou pode comprar a planta já processada e pronta para uso, claro que se a apanhar sai mais barato e tem outra qualidade.



Sopa de Urtiga

Ingredientes:
  • 500 g de folhas de urtiga (frescas e novas)
  • 1 cebola
  • 2 batatas médias
  • 1 ramo de tomilho
  • sal
  • azeite
  • courtons (facultativo)
Preparação:

Apanhe as urtigas, lave-as e retire as folhas, que deve picar grosseiramente.
Entretanto, refogue numa panela com um pouco de azeite a cebola cortada às rodelas e, quando estiver loirinha, adicione as batatas cortadas aos bocados, um litro de água e o ramo de tomilho.
Tempere com sal e deixe cozer até as batatas estarem boas para passar a puré com a varinha mágica.
Depois, junte as urtigas e deixe cozer por cerca de 10 minutos.
Sirva com courtons.



Chá (Infusão) de Urtigas

  • 1 colher de sopa de folhas de urtiga para cada litro de água
  1. Ferva por 3 ou 4 minutos a partir do momento em que inicia a ebulição, depois desse tempo retire do fogo, deixando repousar tapado por cerca de 15 minutos para apurar.
  2. Depois coe e sirva o chá. (Pode tomar até 3 chávenas por dia)
Também pode ser tomado frio.



Esparregado de Urtigas

Ingredientes:
  • urtigas
  • 3 dentes de alho
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • sal
  • pimenta
  • noz-moscada
  • 1 ou duas colheres de farinha
  • leite
Preparação :

Com cuidado, escolha, lave e coza as urtigas.
Pique-as.
Descasque os alhos, pique-os e leve-os a alourar num pouco de azeite.
Junte as urtigas e deixe saltear.
Reduza-as depois a puré e leve-as de novo ao lume..
Polvilhe com farinha e regue com leite.
Tempere com sal, pimenta e noz-moscada.
Deixe cozer, mexendo sempre para não pegar, durante 10 minutos.
Sirva com umas gotinhas de limão.

NOTA: Excelente para acompanhar carnes grelhadas e peixe.

Rota Vicentina - Um Encanto e um Paraíso



Caminhar ao longo da Rota Vicentina é embarcar numa viegem pessoal e inesquecível.
Veja o video e descubra o quanto fascinante é a Costa Vicentina e os grandes valores do Alentejo.